O Projecto do Inventário do Património Imóvel dos Açores vai avançar com duas equipas de inventário em dois
concelhos da ilha de S. Jorge (Velas e Calheta).
  Durante os próximos meses este projecto de natureza cultural vai
proceder a uma rigorosa inventariação, e posterior divulgação, do múltiplo e rico património edificado insular: casas de habitação, igrejas, moinhos, etc… Mas também os fornos, ladeiras, canadas ou chafarizes, por definição tipologias de património consideradas menos apelativas ou nobres serão inventariadas, o que torna este projecto ainda mais interessante.
  Na óptica do director deste projecto a «inventariação é, a qualquer nível, indispensável para o
desenvolvimento do Arquipélago, na medida das potencialidades que este património comporta, quer ao nível sócio-cultural quer ao nível das áreas ligadas à economia.»

A notícia pode ser lida na totalidade aqui: http://www.azoresdigital.com/ler.php?id=9804 (Azores Digital).



Exposição “O Mundo Maravilhoso de Léger”, no
 Fórum Eugénio de Almeida,
Évora. Até Outubro. Biografia de Léger pode ser lida
aqui

Excertos de uma entrevista ao director do Secretariado Nacional dos Bens Culturais, pela Agência Ecclesia (link).

«Temos de eleger prioridades e, neste momento, este secretariado [Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja] elegeu como prioridade de actuação animar a dinâmica dos arquivos. Neste trabalho temos em vista objectivos muito concretos: não se trata de discutir conceitos e de teorizar os problemas da arquivística, mas pretendemos operacionalizar uma rede de arquivos da Igreja que permita disponibilizar ao público os acervos históricos e documentais da Igreja Católica.»

«Não há capacidade financeira para intervir, de forma adequada, na área patrimonial. Neste momento, nenhuma diocese está em condições financeiras de intervir no seu património com a qualidade e a competência desejadas. Mas não é uma situação exclusiva da Igreja Católica porque, neste momento, também o Estado Português tem as maiores dificuldades em financiar as intervenções na área do Património Cultural.»

«A Igreja não precisa de ‘ter’ pessoas capacitadas para fazer o que quer que seja. A igreja necessita é de saber onde vai encontrar essas pessoas com competências próprias para as envolver nesse trabalho. Não estamos num tempo em que actuar, no âmbito do património cultural, se compadeça com a simples boa vontade. Não basta a boa vontade, mas é preciso ir buscar competências. Estas encontram-se nas universidades e no mercado de trabalho. Do meu ponto de vista, é um erro querer ter presbíteros a responder com competências próprias a todos os problemas na área patrimonial. O envolvimento dos leigos é precioso.»

«Todavia, evitar perdas não pode ser o objectivo da nossa intervenção na área patrimonial e, concretamente, na área documental. O objectivo fundante e fundamental da Igreja Católica, na área do património, é servir a sociedade portuguesa.»

 
A última conferência, de uma série que o Departamento de História, Arqueologia e Património da Universidade do Algarve está a promover, aborda o tema da inventariação: “Necessidade e urgência de inventariação, catalogação e renovação do património cultural da Igreja”.
O orador convidado será D. Carlos de Azevedo (Bispo auxiliar de Lisboa e Secretário da Conferência Episcopal Portuguesa - CEP).

Data: 11 de Junho, às 15h, no Auditório da Faculdade de Economia. A entrada é livre. Notícia colhida neste blogue.

«O projecto Geo-Sítios - Inventário dos Sítios com Interesse Geológico, foi iniciado em Maio de 2003, no âmbito das actividades e competências do Instituto Geológico e Mineiro, financiado pelo Programa Operacional Sociedade da Informação - POSI.

O objectivo deste projecto consistia na criação de uma base de dados dos sítios com interesse geológico do território nacional, tornada acessível pela Internet através das páginas institucionais. O que agora se apresenta e que constitui apenas uma primeira fase corresponde a cerca de uma centena de Geo-Sítios, ou geótopos, limitados ao território continental português. Como não foi possível obter financiamento para visitas ao terreno, as fichas baseiam-se nas informações bibliográficas e nas fornecidas pelos colaboradores de diversas instituições, a quem desde já muito se agradece e cujos nomes figuram a seguir.

Vai agora entrar-se na fase seguinte em que se pretende aumentar significativamente o número de Geo-Sítios, passando também a incluir os relativos aos dos Açores e da Madeira. Esta é uma vasta tarefa que só será possível com a continuação da colaboração de todos os colegas interessados, para o que lanço, desde já, o convite. (…)»
 
Pode aceder aqui ao Geo-Sítios:
http://e-geo.ineti.pt/bds/geositios/. Outras bases de dados ligadas ao e-Geo Sistema Nacional de Informação Geocientífica podem ser acedidas nest sítio: http://e-geo.ineti.pt/bds.htm.

«Custódia em restauro

A Custódia de Belém, uma das peças centrais da colecção do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) e obra-prima da ourivesaria portuguesa, vai ser temporariamente retirada de exposição para restauro. A partir do próximo dia 29, e para obstar à ausência temporária desta peça central do seu percurso expositivo permanente, o MNAA anunciou que criará um espaço permanente de divulgação da obra. O público poderá, assim, não só ver imagens do objecto, em todos os seus pormenores, como acompanhar as várias fases de tratamento da peça. A Custódia, que em 2006 completou 500 anos, é um objecto de grande complexidade técnica, construído em ouro muito puro, logo muito macio, guarnecido de esmaltes coloridos e de um viril de vidro. O MNAA lembra que a peça “sofre de problemas de conservação a que urge acudir, dada a degradação do vidro do viril e destacamento dos esmaltes” e garante que “uma vez correctamente conservada e restaurada, a Custódia voltará a ser exposta com a dignidade que merece”. Mandada lavrar pelo rei D. Manuel I, que depois a ofereceu ao Mosteiro dos Jerónimos, em Belém, a Custódia data de 1506. AV»       Retirado do Jornal de Notícias (26/4/2008).

Uma das peças mais emblemáticas do Museu Nacional de Arte Antiga - a custódia de Belém (1506) vai ser objecto de restauro e de um estudo mais aprofundado sobre o seu percurso histórico.
Um peça com importância histórica e “mitológica” para a nossa nação, a par dos Painéis de S. Vicente, não pode ser simplesmente retirada do seu habitual local de exposição. Para não defraudar, e também para os informar, foi enviado um email aos subscritores da newsletter do Museu (Departamento de Comunicação -
mnaa.depcom@ipmuseus.pt) explicando as fragilidades da peça (vidro, esmaltes) e informando-os que “será criado um espaço permanente de divulgação acerca desta obra magnífica”. O público terá ainda acesso a imagens pormenorizadas da custódia e acompanhar o evoluir dos tratamentos e resultados do restauro.

Um texto, actual, para reflectir:

«O Património Religioso constitui um dos aspectos mais importantes do nosso legado histórico e cultural, aos mais diversos níveis. E, não é certamente por acaso que, entre os monumentos nacionais considerados Património Mundial pela UNESCO (património edificado, não-natural), 2/3 sejam efectivamente de carácter religioso, quer a título individual (Convento de Cristo em Tomar, Mosteiro da Batalha, Mosteiro dos Jerónimos e Mosteiro de Alcobaça), quer integrados em Centros Históricos (Angra do Heroísmo, Évora, Porto, Guimarães).
Trata-se efectivamente de um aspecto basilar do nosso património, dado que a preocupação religiosa e os respectivos estabelecimentos se encontram presentes desde as nossas origens, tendo estado sempre associados a períodos fulcrais da nossa história política, cultural ou artística (Santa Cruz de Coimbra, Alcobaça, Batalha, Jerónimos, São Vicente de Fora, Mafra, ou Fátima). Dentro do património cultural, ele é o mais universal, o mais diversificado, o mais rico, o mais visível, e o mais presente em todo o território. Ele institui-se inegavelmente como a expressão maior da cultura portuguesa, e um elemento de identidade, não só reflexo de valores religiosos, como sociais, éticos, artísticos ou filosóficos.

Por várias razões, trata-se de uma temática de grande actualidade, que tem ocupado um lugar de destaque dentro dos estudos patrimoniais, tornando-se objecto de um interesse crescente, pelas diversas questões que tem levantado.

Uma delas, assenta nos perigos que este importante legado tem vindo a ser alvo, quer por razões de ordem humana como de ordem natural. Efectivamente, muitas igrejas e conventos têm fechado as suas portas, por falta de fiéis, de celebrantes, pela desertificação das regiões do interior, ou pela carência de fundos, decorrente do aumento crescente dos seus custos de manutenção. Só nas últimas décadas, fecharam 2 000 igrejas em Inglaterra, outros milhares nos Estados Unidos, 600 igrejas foram demolidas nos Países Baixos e, na Escandinávia, Alemanha, Bélgica e França, outras dezenas de milhar têm sido constantemente desafectadas das suas paróquias.

Recentemente, este problema tem sido discutido em diversos congressos internacionais, com resultados bastante interessantes, e produtivos debates de ideias. Entre estes, o colóquio «Le patrimoine religieux du Québec : de l’objet cultuel à l’objet culturel », que teve lugar em Novembro de 2004, contou com 450 participantes, entre técnicos, investigadores ou simples apaixonados pelo assunto, reflectindo sobre o papel fundamental deste património ameaçado. Uma das principais questões em debate foi o da «patrimonialização», isto é, a conversão destes bens da Igreja, entretanto desafectados, de vocação cultual, em bens culturais destinados à sociedade civil, como meio de salvaguarda desta herança. Ora, esta necessária relação entre o cultual e o cultural, é encarada como um «rito de passagem», um espaço de contacto, um campo relacional que suscita discussões, estratégias de apropriação e até posturas de resistência. Pelas trocas e associações que gera, estes espaços tornam-se num lugar da cultura, e de criação, onde se estabelecem assim novas práticas culturais e novas identidades.

Porém, o Património Religioso integra mais do que os locais de culto. Ele não diz somente respeito à preservação desses lugares, aspecto a que se tem dado maior importância, mas a uma reflexão, a longo prazo e integrante, de múltiplas dimensões. Não podemos esquecer que as igrejas se revestem de funções comunitárias, tanto cultuais como culturais, ou sociais, o que arrasta consigo necessariamente uma problemática pluridisciplinar, que deveria envolver clérigos, arquitectos, urbanistas, sociólogos, historiadores, etc., dadas as implicações culturais, históricas, antropológicas e sociológicas, suscitadas pela prática de um culto.

O Património Religioso é um conceito de composição múltipla, memorial, cultural e identitária, fundamental para qualquer sociedade. Contudo, ele também é em si próprio um conceito “em aberto”, inter-relacional, sujeito a debate, que passa necessariamente pela reflexão, pelo estudo, avaliação, reconhecimento, conservação e consciencialização do seu valor. Esperemos que este Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, dedicado ao Património Religioso, ultrapasse o mero âmbito comemorativo deste tipo de ocasiões, e que possa efectivamente lançar um debate aprofundado sobre as questões que desponta, bem como fomentar o nascimento de macro-estruturas e instituições de promoção, pesquisa e desenvolvimento, à semelhança do que tem sucedido internacionalmente.»

Nuno Saldanha, Escola das Artes (Ext. Lisboa) - Universidade Católica Portuguesa, in Agência Ecclesia, Dossier Património, 15/04/2008.

«O 1ª Seminário do Projecto «SOS Azulejo» subordinado ao tema «Segurança e salvaguarda do Património azulejar Português» realizar-se-á em Aveiro, no próximo dia 20 de Junho. Esta iniciativa realizar-se-á em parceria com a Câmara Municipal de Aveiro.
Neste seminário serão focados os principais problemas de segurança que afectam este tipo de património - indissociavelmente ligados aos problemas de conservação - indicando soluções possíveis, apontando exemplos de boas práticas já existentes (sobretudo camarárias) e encorajando acções e desenvolvimentos a implementar futuramente.
No final do Seminário haverá uma visita guiada a uma exposição sobre o Património Azulejar de Aveiro que estará patente no museu da cidade.»

Agência Ecclesia newsletter@ecclesia.pt (9-4-200 8) / Projecto «SOS Azulejo» - link

Boa Páscoa (26)

Março 18, 2008

A mais antiga representação da Crucificação de Jesus é esta pequena placa de marfim. Está datada de 420-30 d.C. e terá sido um trabalho feito numa oficina em Roma. Faria parte de um pequeno cofre, que seria decorado com esta placa e outras três, todas decoradas com cenas da Paixão de Cristo.
Da esquerda para a direita estão representados: Judas Escariotes, enforcado, tendo a seus pés a bolsa com as infames trinta moedas; de seguida Maria e São João, respectivamente a mãe e o discípulo mais amado de Cristo, ambos trajando à romana; Cristo crucificado tem uma fisionomia serena e é ainda representado sem barba, por cima da cruz está inscrito “REX IVD” (rei dos judeus); a última personagem é o soldado que perfurou o lado de Cristo com uma lança (que não resistiu à passagem dos séculos).
Um bela peça que pode ser admirada no British Museum e que tem um especial valor, não só iconológico como também histórico e religioso.

«En su segunda convocatoria de proyectos, celebrada en julio de 2004, la Iniciativa Comunitaria INTERREG III B Sudoeste decidió financiar el proyecto titulado “La arquitectura del siglo XX en España, Gibraltar y las regiones francesas de Aquitaine, Auvergne, Languedoc-Roussillon, Limousin, Midi-Pyrénées y Poitou-Charente”. El proyecto fue presentado conjuntamente por cuatro instituciones:

-Fundación Docomomo Ibérico
-Arc en rêve centre d’architecture
-Government of Gibraltar - Town Planning Section
-Fundació Mies van der Rohe

A ellas se sumó la Ordem dos Arquitectos de Portugal y la Fundación Caja de Arquitectos en calidad de participantes asociados.Entre los objetivos genéricos recogidos en la propuesta cabe destacar los siguientes:
Inventariar el patrimonio arquitectónico del siglo XX en España, Gibraltar y las regiones francesas incluidas en el programa.
Conformar una base de datos que sirva de soporte a un archivo digital de arquitectura del siglo XX.»

Endereço: http://www.archxx-sudoe.org/
O projecto português (menos ambicioso a meu ver)  lançou um livro e um site - http://iapxx.arquitectos.pt - se bem que este último não possa ser acedido há vários semanas/meses (?).