Misericórdias (49)
Abril 7, 2009
«Nota Pastoral do Episcopado sobre as Misericórdias Portuguesas em Ano Jubilar [1998]
(…)
7. A terminar, formulamos alguns votos. Que sejam superadas as deficiências e dificuldades que têm por vezes prejudicado o procedimento fiel das Misericórdias à sua vocação originária. Que, na presente conjuntura sociocultural tão marcada por rápidas mutações, elas dêem provas da criatividade e do dinamismo próprios da caridade cristã, de modo a poderem dar resposta aos apelos das novas e subtis formas de pobreza dos nossos tempos, que vão das situações de marginalidade étnica, social e cultural às dependências físicas, psicológicas e morais. Que elas saibam cuidar do seu rico património artístico e documental, valorizando-o e pondo-o ao serviço da comunidade. (…)»
Esta nota Pastoral, composta por 7 pontos, está integralmente disponível aqui. Com tanto arquivo de Misericórdias fechado a sete chaves, quase ao abandono e indigência, é sempre bom recordar esta frase (com sublinhado meu) sobre o rico património arquivístico destas instituições. De destacar, pela positiva, a Misericórdia de Évora, que tem a sua documentação à consulta dos investigadores no Arquivo Distrital de Évora, depositada com reserva de posse e de consulta.

Abril 14, 2009 at 10:03 pm
A minha experiência é bem diferente da sua e por isso mesmo aproveito para a partilhar.
Como investigadora de património histórico e artístico das Misericórdias, há quase um ano comecei a percorrer o pais e já fui recebida em c. 60 Misericórdias para fotografar e analisar os seus edifícios históricos e em quase 20 arquivos. Sempre fui bem recebida pelos responsáveis ou funcionários, que procuram facilitar a minha investigação.
Até ao momento apenas me foram negadas duas visitas (uma delas penso renegociar!), é a excepção que confirma a regra!
Relativamente aos arquivos, é verdade que estão fechados, mas um contacto explicando o âmbito da investigação e um pedido de consulta, rapidamente nos abrem as suas portas, sendo que por vezes as condições de consulta são complicadas.
Como refere existem várias Misericórdias que depositaram os seus fundos documentais em arquivos públicos (Setúbal, Alcochete, Sesimbra, Montijo, Lagos, Braga, Bragança…) o que nem sempre torna a consulta mais fácil (uma contradição? Sim, mas é possível… eu não acreditava até passar por essa experiência a semana passada).